Durante o mês de junho e julho, o Centro de Referência Esportiva Rio Grande recebeu e visitou diversas entidades na tentativa de entender melhor aqueles que vivem excluídos das práticas esportivas, tais como os idosos, as crianças e adultos com deficiência, e os que tem algum sofrimento mental. No geral, tanto a escola como as entidades que apoiam esses grupos não tem um trabalho na área do esporte. Como o Centro de Referência Esportiva Rio Grande tem a sua prática dentro dos princípios do esporte educacional, foi natural que os educadores também se preocupassem com uma atuação junto a essas pessoas excluídas do esporte.
Assim, além de visitar as entidade de apoio, como a APAE, o CAPS e a Escola Alvares de Azevedo, eles ainda propuseram uma séride oficinas que permitissem a todos os grupos o prazer do esporte e a alegria de partilhar práticas corporais coletivas. Para quem vivenciou as atividades ficou uma certeza: trabalhar com esse público diferenciado é um grande desafio para a área de Educação Física. Nas universidades, o foco sempre é o esporte de rendimento ou a atuação em escolas, considerando que todas as pessoas são iguais. Mas, na vida real, as coisas são diferentes. Como trabalhar o esporte com pessoas cegas? Como atuar junto a crianças e adultos excepcionais? Que práticas propor a quem tem sofrimento mental? E os mais velhos, como podem vivenciar a experiência esportiva? São perguntas que o trabalho desenvolvido no CRE levanta, nas busca de fortalecer um processo de inclusão.
Na avaliação das primeiras oficinas realizadas junto com as instituições de ensino especializadas, os educadores ressaltaram a alegria e o prazer com que todos participaram, mostrando que há um campo vasto para a atuação do profissional de Educação física, para além da escola tradicional. Outro elemento avaliado positivamente foi a metodologia aplicada, a do esporte educacional, que se mostrou bastante eficaz no processo de inclusão. A troca de experiência com os professores da educação especializada também foi importante para fortalecer esses vínculos e viabilizar oficinas mais interessantes.
Os educadores também avaliaram detidamente o trabalho com cada grupo particular, visando trocar informações que possam melhorar as práticas aplicadas nas oficinas. No caso do trabalho realizado com os alunos da APAE, foi detectado que para novos trabalhos seria melhor conhecer a situação de cada pessoa, suas dificuldades, seus limites, um a um. Com essas informações, as oficinas podem render mais alegria e participação. Um outro elemento levantado foi a diferença de idade. Há alunos menores de sete anos, outros maiores, e as práticas precisam se adequar a cada um , evitando assim que haja dispersão.
No caso dos atendidos pelo CAPS (atendimento em saúde mental), a avaliação foi de que ainda há muita estrada para percorrer no que diz respeito a captar o interesse desse grupo para o esporte. As oficinas propostas foram esvaziadas e os que participaram não apresentaram muito entusiasmo. Ficou um bom desafio para os educadores no preparo de novos trabalhos junto aos que tem algum sofrimento mental.
No caso dos alunos cegos, da escola Álvares de Azevedo, o trabalho foi bastante produtivo. Houve participação e interesse por parte dos alunos e os professores da escola foram muito importantes para a realização da oficina. Também aí está aberta uma larga porta de oportunidades para pensar atividades esportivas diferenciadas e inclusivas. O desejo de vivenciar essas experiências existe, e o profissional da educação física precisa ter instrumentos para realizá-las.
A avaliação geral é de que foi tudo muito importante para que cada educador ligado ao Centro de Referência Esportiva vá se construindo como um profissional diferenciado, capaz de fugir das formas que são criadas dentro das universidades e, na relação concreta com a vida real, que apresenta um mundo bem distinto da escola tradicional ou das academias de ginásticas, se transforme, sempre para melhor. Há espaços insuspeitos de atuação profissional e há grupos específicos de pessoas que, em geral, são abandonadas pela educação física. Nenhum ser humano é incapaz de realizar práticas esportivas. Elas apenas precisam ser adequadas a cada um segundo suas habilidades e seus limites. Essa lição, só quem vive a experiência com o outro pode perceber. Daí a importância do esporte educacional.
Agora, com base nessa avaliação, os professores do CRE poderão oferecer melhores oficinas e avançar no trabalho a que se propõem, que é o de incluir todas as pessoas no mundo do esporte, que é lazer, saúde e alegria.

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