domingo, 25 de maio de 2014

A história do boxe





















Eder Jofre, Adilson Maguila e Arcelino Popó - três grandes boxeadores do Brasil 

Registros referentes à antiga civilização minóica, nas ilhas de Santorini e Creta, Grécia, mostram jovens lutando boxe há cerca de 3500 anos antes do presente. Pelo que se sabe não era bem um esporte, mas uma atividade bastante violenta na qual os lutadores se enfrentavam até à morte, regidos pelo deus Hermes. Há registros de sua prática também na Roma antiga, possivelmente conhecida depois da presença romana no mundo grego. Sabe-se que este tipo de luta foi adotado pela primeira vez numa Olimpíada no ano de 668 A.C., durante a 23ª edição dos Jogos, sendo vencedor o lutador de nome Onomasto de Esmirna, que foi quem definiu as regras do esporte. Contam que os lutadores utilizavam faixas de couro nas mãos para proteger os dedos e combatiam até que um deles caísse inanimado ou admitisse a derrota. Na luta grega, para vencer, o lutador tinha de provocar a queda do outro por três vezes seguidas. Considerava queda quando as costas, ombros ou peito do adversário tinham tocado o chão. Antes de iniciarem a luta os concorrentes untavam o corpo com azeite e deitavam um pouco de terra para evitar que a pele se tornasse escorregadia. A prova não tinha tempo limite. Era permitido partir os dedos do adversário, mas não era permitido realizar ataques na região genital ou morder.

Com o fim do Império Romano, essa cultura da luta com as mãos foi se perdendo, mas é possível que tenha subsistido fora dos círculos do poder, uma vez que também há registros da prática do boxe no fim do século IX, no sul da Inglaterra. E é justamente da Inglaterra que o boxe vai ressurgir a partir do século XVII. Nessas lutas os boxeadores passaram a combater por dinheiro e isso bastou para que fossem criadas novas técnicas, como a introdução do jogo de pernas e o jogo ofensivo, o que atraiu milhares de novos praticantes. Foi um nobre inglês, o Marquês de Queensbury, quem regulamentou o esporte, criando uma série de regras que tornou o boxe menos violento, inclusive com a adoção de luvas.

As mudanças produzidas deram condições para o desenvolvimento do boxe como esporte. Assim, no início do século XX, essa modalidade já era bem conhecida em toda a Europa e entra para o rol de esportes dos Jogos Olímpicos Modernos em 1904. Desde aí se firmou no cenário esportivo a partir de figuras lendárias como Rocky Marciano, Muhammad Ali, Teofilo Stevenson, Joe Frazier, George Foreman, entre outros lendas.

O boxe no Brasil

Nas terras brasileiras o boxe chegou com os emigrantes alemães e italianos no final do século XIX e início do século XX. Conta-se que os primeiros combates foram realizados nas docas de Santos e Rio de Janeiro entre marinheiros europeus. Há notícias de que em 1913, houve uma luta de boxe documentada no Brasil.  Foi em São Paulo e era uma luta de exibição, ou um desafio, não há certezas, entre um pequeno ex-boxeador profissional que fazia parte de uma companhia de ópera francesa e o atleta Luis Sucupira, conhecido como o Apolo Brasileiro, por conta do físico avantajado. Conta-se que Apolo perdeu a luta, mas acabou reconhecendo que a técnica pode superar a força. Desde aí se tornou um grande entusiasta do boxe, bem como seu divulgador. Ele era médico e filho de conceituada família, o que ajudou a minimizar o preconceito sobre a luta. Em 1919,  um marinheiro carioca, chamado Goes Neto, que havia feito várias viagens à Europa, onde havia aprendido a boxear, resolve fazer várias exibições no Rio de Janeiro e acaba tendo o apoio de um sobrinho do presidente da República, Rodrigues Alves. Foi só aí que começaram a surgir academias, culminando com a criação das "comissões municipais de boxe" em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. 

Os primeiros treinadores de boxe se firmaram em 1923 quando Batista Bertagnolli começou a organizar lutas no Clube Espéria, de São Paulo, sempre aos domingos, com casa lotada. Aí se destacou Celestino Caversazio, que mais tarde veio a treinar os irmãos Jofre, Atílio Lofredo, Chico Sangiovani, etc. Foi nesse ano que também foi criada a primeira academia de boxe no Brasil: o Brasil Boxing Club, no Rio de Janeiro. 

Nos anos posteriores a difusão do esporte foi lenta, só aparecendo para o grande público nos anos 60, a partir das performances de Éder Jofre, sagrado campeão mundial em 1961 e 1973. Ele foi considerado o maior boxeador brasileiro de todos os tempos. Nascido em uma família de pugilistas, cresceu dentro de um ringue. Tinha como principal arma um fortíssimo gancho de esquerda, e uma igualmente arrasadora direita. Por conta disso, podia modificar seu estilo de luta conforme o adversário. 

Mais tarde, outra figura carismática, Adilson Maguila Rodrigues, daria novo colorido ao boxe, sendo campeão sul-americano em 1989, e segundo no ranking do Conselho Mundial de Boxe (CMB). No final dos anos noventa, outro lutador brasileiro faria o boxe ocupar espaço na mídia e na mente: Acelino de Freitas, o Popó. Ele foi campeão mundial (1999) pela Organização Mundial de Boxe (OMB) ao vencer o russo Anatoly Alexandrov e isso inspirou milhares de praticantes brasileiros.

O boxe ou pugilismo é um esporte de combate, no qual os lutadores usam apenas os punhos, tanto para a defesa, quanto para o ataque. A palavra deriva do verbo inglês “to box”, que significa bater, ou pugilismo (bater com os punhos). No combate, coloca-se  frente a frente dois lutadores que se enfrentam em busca do título de melhor boxeador. 




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